10.02.2006

Canal inquinado

O direito à informação, como se diz na nossa moção, tem duas vertentes: o direito a informar e o direito a ser informado. O que pressupõe uma relação de boa-fé entre as fontes, os jornalistas e os destinatários das notícias. Infelizmente nem sempre isso acontece.
A notícia que o “Sol” publicou sobre a apresentação da nossa moção é sintomática.Não temos que divulgar o conteúdo de uma moção partidária antes de ela ser entregue. É aliás uma questão de princípio e de respeito pelas regras. Aos jornalistas presentes no Rato no momento da sua entrega divulgámos de imediato o acesso ao conteúdo integral da moção na net, abrindo-a ao debate público. Fomos aliás os únicos a fazê-lo. Mas a essa hora já o “Sol” tinha fechado e já a peça estava feita. Tinham uma página para encher e foi de qualquer maneira, com palavras minhas, do José Leitão e do José Luís Cardoso entremeadas de confusas deduções.
“Para a mentira ser segura / e atingir profundidade / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade”, escreveu António Aleixo. É uma velha técnica, recorrente neste tipo de não-notícias.
O tom geral da peça do “Sol”, titulada “PS em Alegre confusão” e incluindo no subtítulo a afirmação “alegristas estiveram até à ultima da hora divididos”, é reforçado pela nota “negativo” que aparece noutra página, que ataca Manuel Alegre e os “habituais alegristas” pelos “avanços e recuos” de uma “moção inócua” que não faz mais do que fornecer um “animador de serviço” ao Congresso do PS. Assim pensa o “Sol” de António José Saraiva. Não nos admira. Foi assim que o “Expresso” do mesmo António José Saraiva tratou Alegre na campanha presidencial. Os resultados desmentiram todas as previsões daquele jornal, mas o estereotipo continua. É difícil confiar em quem assim trabalha. A nossa relação com o “Sol” ficou inevitavelmente inquinada.

Helena Roseta

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