10.16.2006

Respeitinho é que é preciso

Quer se queira quer não, o espaço público da acção política não pode prescindir da mediação da comunicação social. Mas as lógicas mediáticas, para disputarem a agenda da atenção, não debatem - reduzem, antagonizam, etiquetam. O editorial de Fernando Madrinha no último Expresso é sintomático. Com o título "O PS bota- abaixo", tem como alvo todos aqueles que no PS não estão dispostos a comer e calar. Começa por desvalorizá-los como estatistas, nostálgicos, fixados nos ‘direitos e conquistas’, irmãos gémeos do PCP e do Bloco, e vai por aí fora. O pretexto são as críticas às taxas moderadoras, feitas, presume-se, por Manuel Alegre e Jorge Coelho. Madrinha não se dá sequer ao trabalho de citar nomes. O estereótipo está lançado. Quem for contra os ministros de Sócrates é estatista, nostálgico, retrógrado. E nem sequer o incomoda o que a Constituição diz sobre o Serviço Nacional de Saúde. O facto de os cidadãos não gozarem "de todos os direitos que esse livrinho milagroso chamado Constituição ‘garante’ a todos os portugueses" é-lhe irrelevante. Do que ele gostaria era de ter um PS sossegadinho, disciplinadinho, que não fizesse ondas. É caso para perguntar se os nostálgicos serão os que não desistem de se bater pelos direitos sociais que a Constituição consagra, ou se é o jornalista que ao escrever assim nos recorda os velhos e malfadados tempos do "respeitinho é que é preciso".

Helena Roseta

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